Quero sorrir, mas virá sempre alguém que me ofuscará o sorriso.
Quero ser livre, voar como os pássaros, cantando docemente nas manhãs de Primavera, mas virá sempre alguém capaz de ferir as minhas asas. Voo cada vez mais baixo, planando sobre as rochas, onde o mar bate ferozmente, como que a anunciar a inevitável tempestade. Já não sou capaz de sair dali e invade-me um sentimento de pânico, que me faz desistir…
Quero acordar para um novo dia, agradecendo o milagre da existência, mas virá sempre alguém que me fechará a cortina, impedindo-me de receber a Luz que os raios de sol, gentilmente, me trariam de presente…
Quero sentir o prazer de renascer, sorrir aos meus amigos, comungar com a Natureza, subir as montanhas e sentir o cheiro das flores entranhar-se-me na alma. Mas virá sempre alguém que me empurrará no precipício e colherá todas as flores…
Quero brincar com os animais, sentir o brilho dos seus olhares, afagá-los com ternura, mas virá sempre alguém que os levará para longe de mim…
Quero ter fé, esperança num mundo melhor, iluminar cada alma que se cruza no meu caminho. Sorrio, estendo-lhes a mão, falo-lhes com amor, tolerância e harmonia. Respeito a sua liberdade, aceitando-as incondicionalmente, mas virá sempre alguém que adormecerá a minha fé e me apagará essa Luz, a Luz que tanto preciso para continuar o caminho…
Deixo pegadas na areia…talvez, algum dia, alguém me queira seguir e me leve para junto dos Anjos…e só aí poderei ser um deles. Ganharei novas asas e entrarei na sua dança, por toda a eternidade…